Como evoluiram os organismos eusociais? O sistema genético não explica tudo.


Uma jovem formiga rainha (Formica truncorum) a preparer-se para o seu vôo nupcial. © L. Sundström

Uma jovem formiga rainha (Formica truncorum) a preparer-se para o seu vôo nupcial. © L. Sundström

A existencia de espécies eusociais no mundo animal é um enigma famoso em biologia evolutiva. Em organismos eusociais, como as formigas, termitas ou abelhas, individuos vivem em colónias e dividem-se em castas: uma casta real que se produz descendencia, e um conjunto de castas estéreis que trabalham e protegem a colónia, e ajudam a casta real a produzir juvenis.

A grande questão é: como explicar à luz da teoria da evolução, que individuos sejam favorecidos pela selecção natural a especializarem-se na ajuda à reprodução da rainha modo abdicarem da sua propria reprodução?

Em geral, trabalhadores e soldados são parentes da casta real – filhos e filhas – e isso pode ajudar a explicar o seu desenvolvimento. Uma caracteristica encontrada em quase todas as espécies eusociais é o seu sistema genético: a haplodiploidia. Ao contrario dos mamiferos, onde cada individuo tem uma cópia materna e uma cópia paterna de cada gene (expecto nos genes em cromossomas sexuais), em espécies haplodiploids, os machos apenas têm uma cópia de cada gene, transmitido pela mãe. Isto leva a que uma fémea seja geneticamente mais próxima das suas irmãs do que dos seus filhos. Pode esta assimetria genética explicar a evolução de espécies eusociais?

Neste trabalho investigámos se a eusocialidade pode ou não ser favorecida por selecção natural em espécies haplodiploires. Usando um modelo teórico, verificámos que: 1) o comportamento “altruista” de uma fémea é dependente desta fémea poder manipular o ratio de juvenis machos e fémeas da sua colónia; 2) esta manipulação tem consequências a nível da estrutura da população que leva a que a haplodiploidia em geral não favoreça ao desenvolvimento de sociedades eusociais.

O nosso trabalho sugere então que, mais do que o sistema genético, foram as caracteristicas ecológicas particulares a cada espécie, como vantágens de viver em grupo ou riscos elevados de dispersão, a permitir o desenvolvimento deste sistema social.

Este trabalho foi desenvolvido por: João Alpedrinha, University of Oxford.

Este trabalho foi financiado por: FCT: Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Para mais informações:

link para o artigo publicado: http://www.zoo.ox.ac.uk/group/gardner/publications/GardnerAlpedrinhaWest_2012.pdf

contacto: joao.alpedrinha@gmail.com

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s