Sexo e o parasita da Malaria: é deixar andar… e no fim, elimina-se a descendência


Gametócito macho de Plasmodium chabaudi em circulação no sangue, rodeado de globulos vermelhos.

Gametócito macho de Plasmodium chabaudi em circulação no sangue, rodeado de globulos vermelhos.

O parasita da Malaria e outras espécies relacionadas, são responsaveis por doenças graves e debilitantes em humanos e em animais selvagens e domésticos. Investigadores Portugueses da Universidade de Edinburgo e de Oxford desenvolveram um estudo sugerindo uma nova estratégia para combater este parasita.

O parasita da Malaria é um organismo unicelular que, na sua fase asexuada, multiplica-se dentro dos globulos vermelhos no sangue do hospedeiro. Ao abandonar a célula, o parasite causa o seu rebementamento e consequentemente a doença. Ao longo da infecção alguns parasitas não se replicam e desenvolve-se em machos ou fémeas. Estes são essenciais para a transmissão do parasita para um novo hospedeiro. Quando se dá a picada do mosquito – que serve de vector entre hospedeiros–, estes machos e femeas viajam para dentro do mosquito e reproduzem-se sexualmente, formando novos juvenis assexuados que podem infectar um novo hospedeiro.

Uma abordagem recente para o combate a esta doença é a de actuar sobre os parasitas machos, de forma a impedir a sua reprodução sexuada e desta forma impedir a disseminação da doença na população. Porém, esta situação cria uma pressão selectiva sobre os parasitas, que respondem produzindo mais machos de forma a substituir os que são eliminados ou impedidos de se reproduzir.

A investigação liderada por Ricardo Ramiro (Universidade de Edinburgo), usando uma abordagem teórica e experimental inovadora, demonstra que os parasitas machos são mais susceptiveis a uma intervenção do que as femeas. Mais, este trabalho sugere que a estratégia mais eficaz de combate ao parasita é a de esterilizar machos em vez de os eliminar. Desta forma, machos estéreis competem com machos saudáveis por fémeas, diminuido ainda mais o numero efectivo de acasalamentos.

Ricardo Ramiro acrescenta que “ao focarmos a intervenção nos juvenis em vez de nos seus pais, estamos a retirar a vantagem que os parasitas podem ter uma vez que são capazes de manipular o ratio de machos para femeas formado em resposta a estimulos ambientais. Desta maneira, estratégias que afectem o desenvolvimento dos juvenis têm maior probabilidade de serem bem sucedidas e de impedirem a transmissão da doença, tanto a curto como a longo-prazo.”

Este trabalho foi desenvolvido por: Ricardo Ramiro (University of Edinburgh), João Alpedrinha (University of Oxford).

Este trabalho foi financiado por: FCT-Fundação para a Ciência e Tecnologia (Portugal), pela Royal Society of London,  pelo Balliol College e pelo Wellcome Trust (UK).

Para mais informações:

Ramiro RS, Alpedrinha J, Carter L, Gardner A, Reece SE (2011) Sex and Death: The Effects of Innate Immune Factors on the Sexual Reproduction of Malaria Parasites. PLoS Pathog 7(3): e1001309. doi:10.1371/journal.ppat.1001309

Email do autor:

Ricardo Ramiro: rramiro@igc.gulbenkian.pt

João Alpedrinha: joao.alpedrinha@gmail.com

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