Por que é que alguns hospedeiros espalham mais infeções do que outros?


Uma Daphnia saudável (esquerda) e outra infetada (direita).

Para entender melhor os fatores que afetam o modo como as doenças são transmitidas, pesquisadores da Universidade de Edimburgo investigaram infeções bacterianas em pequenos crustáceos aquáticos chamados Daphnia. Descobriram então que quando Daphnias são infectadas e são bem alimentadas, alguns individuos tornam-se altamente contagiosos, o que não acontece quando a alimentação é reduzida.

A bactéria em causa, chamada Pasteuria ramosa, tem um ciclo de vida curioso: após infetar a Daphnia, multiplica-se no seu interior formando vários milhares de esporos que são libertos quando a Daphnia morre devido á infeção. Entre os hosperdeiros que estavam bem alimentados no estudo, alguns foram capazes de sobreviver durante mais tempo com o parasita, dando-lhe mais tempo para se multiplicar. Portanto, estas Daphnias sofrem menos com a infeção mas são por isso responsáveis pela transmissão de muitos mais esporos de P. ramosa.

Embora não seja claro se a quantidade de alimentos seja um fator importante em todos os tipos de infecções de pessoas e animais,  este estudo realça a necessidade de considerar o impacto de várias condições ambientais, como a nutrição,  no risco de transmissão de doenças infecciosas.

Pedro Vale, da Universidade de Edimburgo, o autor principal do trabalho, explica: “Se tivermos uma ideia de quais os indivíduos que têm maior probabilidade de transmitir doenças, seremos capazes de travar a sua propagação. Sabemos que a frequência de contato entre hospedeiros infetados e susceptíveis é importante. Este trabalha mostra que a nutrição pode também desempenhar um papel importante na transmissão de infecções.”

O trabalho foi publicado na revista Biology Letters.

Vale PF, Choisy M, Little TJ. (2013)  Host nutrition alters the variance in parasite transmission potentialBiology Letters.  9:20121145.  doi:10.1098/rsbl.2012.1145

Este trabalho foi desenvolvido por:

Pedro Vale, CIIE, University of Edinburgh
Marc Choisy, MIVEGEC, UMR Universités Montpellier 1 & 2, CNRS
Tom Little, CIIE, University of Edinburgh

Este trabalho foi financiado por:

Wellcome Trust, Reino Unido.
Centre National de la Recherche Scientifique, França.

Para mais informações: 

http://rsbl.royalsocietypublishing.org/content/9/2/20121145.full

http://pedrovale.wordpress.com/

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