Na Formação da Lourinhã foram descobertos ovos contendo ossos de embriões de dinossauro, datados do Jurássico Superior (150 milhões de anos). Através de uma detalhada comparação anatómica foi possível identificar os ossos presentes dentro dos ovos e atribuí-los à espécie Torvosaurus sp. Esta descoberta representa a primeira ocorrência de ovos e embriões de um grupo de dinossauros carnívoros (terópodes) basais conhecido como megalossaurídeos e vem preencher uma importante lacuna na árvore da vida deste grupo de animais, especialmente entre dois grupos de terópodes bastante diferentes: os megalossaurídeos e os coelurossauros.
Em Portugal eram já conhecidos outros fósseis de Torvosaurus que estão também à guarda do Museu da Lourinhã, o que em si mesmo representa um acervo que permite um estudo mais pormenorizado sobre o desenvolvimento destes animais.
A descoberta conjunta de ovos e embriões de dinossauros é muito rara, sendo conhecidas ocorrências em saurópodes (ex. Massospondylus) e num grupo derivado de dinossauros terópodes onde surgiram as aves, os coelurossauros.
A equipa de paleontólogos, liderada por Ricardo Araújo, descreveu ainda, um novo tipo morfológico de casca de ovo que apresenta apenas uma camada, é extremamente porosa e a sua ornamentação é complexa. Este tipo de casca só encontra semelhanças em alguns dinossauros herbívoros.
De forma a permitir dissipar quaisquer dúvidas sobre a morfologia dos fósseis foram utilizadas pela primeira vez diversas técnicas para o estudo das cascas de ovos de dinossauro (nomeadamente: PIXE – proton-induced X-ray emission, técnica utilizada para caracterizar os elementos químicos de um material; microtomografia computorizada por feixe de sincrotrão, técnica não destrutiva usada para obter a morfologia interna em 3D de objetos muito pequenos; e XRD – difração de raios-X, técnica usada para identificar as características químicas presentes na estrutura de um composto).
Esta descoberta vem trazer informações relevantes na evolução dos dinossauros nas mais variadas áreas: na sua biologia reprodutiva, etologia, desenvolvimento bem como na relação dos dinossauros mais basais com o grupo de terópodes que dará origem à aves.
O estudo foi publicado na revista Scientific Reports.
Este trabalho foi desenvolvido por:
Ricardo Araújo (1,2)
Rui Castanhinha (2,3)
Rui M. S. Martins (2,4,5,6)
Octávio Mateus (2,7)
Christophe Hendrickx (2,7)
Felix Beckmann (8)
N. Schell (8)
L. C. Alves (4,6)
1. Huffington Dept. of Earth Sciences, Southern Methodist University, Dallas, Texas, 75275-0395, USA
2. GEAL – Museu da Lourinhã, Rua João Luís de Moura, 95 – 2530-158 Lourinhã, Portugal
3. Instituto Gulbenkian de Ciência, Organogenesis Ibn Batuta (A1) – Room 1A, Rua da Quinta Grande, 6P –
2780-156 Oeiras, Portugal
4. Instituto Superior Técnico/CTN, Campus Tecnológico e Nuclear, EN10, 2696-953 Sacavém, Portugal
5. CENIMAT/I3N, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, Quinta da Torre,
2829-516 Caparica, Portugal
6. Centro de Física Nuclear da Universidade de Lisboa (CFNUL), Av. Prof. Gama Pinto 2, 1649-003 Lisboa,
Portugal
7. CICEGe, Centro de Investigação em Ciência e Engenharia Geológica, Faculdade de Ciências e Tecnologia da
Universidade Nova de Lisboa, Quinta da Torre, 2829-516 Caparica, Portugal
8. Helmholtz-Zentrum Geesthacht (HZG), Max-Planck-Str. 1, 21502 Geesthacht, Germany
Este trabalho foi financiado por:
Jurassic Foundation
DESY
European Community’s Seventh Framework Programme
ESF
FCT
Para mais informações:
http://www.nature.com/srep/2013/130530/srep01924/full/srep01924.html
http://www.museulourinha.org/pdfs/Noticias/Noticias_2013-05-30_OvosTorvossauro.pdf