Formigas formam tórax para condizer com funções que desempenham


Os insetos que vivem em sociedade são criaturas curiosas, com uma ligação interessante entre a sua morfologia (forma e tamanho) e o seu comportamento.

leafcutter_ant-XL

Acromyrmex balzani

Embora partilhem um conjunto semelhante de genes, os indivíduos de uma colónia desempenham papéis diferentes e geralmente variam em tamanho e forma. Isto não só é verdade para abelhas e vespas, como as formigas levam esta realidade ao extremo: as formigas-rainha, grandes e com asas, asseguram a reprodução da colónia, enquanto que formigas-obreiras, mais pequenas e sem asas, garantem a manutenção da colónia.

Roberto A. Keller, investigador do grupo de Patrícia Beldade do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), em colaboração com Christian Peeters da Universidade Pierre et Marie Curie (França), examinou agora detalhadamente o tórax da maioria das subfamílias de formigas atualmente existentes e de outras já extintas.

O tórax é uma parte do corpo dos insetos que contém os segmentos com as asas e as pernas. Roberto observou que, na formiga-obreira, o segmento do tórax mais próximo da cabeça está muito dilatado e preenchido por fortes músculos do pescoço. Estes músculos fortalecem os movimentos da cabeça, que por sua vez contém as mandibulas que as formigas usam para agarrar e manipular objetos. Um pescoço forte mas ainda assim flexível permite às formigas-obreiras a capacidade de usar a sua cabeça para levantar objetos muito mais pesados que a própria formiga.

Por outro lado, as formigas-rainha não têm estes robustos músculos do pescoço, apresentando por isso um segmento do pescoço mais reduzido. “A nossa análise morfológica mostra que as formigas-obreiras são muito mais do que apenas versões mais pequenas e sem asas das rainhas” diz Patrícia Beldade.

Roberto Keller acrescenta: “As nossas descobertas podem ajudar a explicar o extraordinário sucesso ecológico das formigas e as suas diversificações evolutivas em comparação com outros insetos sociais.”

 Este trabalho foi desenvolvido por:

Roberto A. Keller, Instituto Gulbenkian da Ciência (Portugal); Christian Peeters, Universidade Pierre et Marie Curie (França); Patrícia Beldade, Instituto Gulbenkian da Ciência (Portugal).

Este trabalho foi financiado por:

Fundação para a Ciência e a Tecnologia, Portugal.

Para mais informações:

Keller RA, Peeters C, Beldade P (2014) Evolution of thorax architecture in ant castes highlights trade-off between flight and ground behaviors. eLife 3.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s