O Indo-Pacífico, em particular o chamado Triângulo de Coral, é o expoente de diversidade de espécies marinhas, e considerado um centro de diversificação, em particular de peixes, de onde várias linhagens terão partido para colonizar outros oceanos.
O Parablennius é um género de peixe marinho, de zonas costeiras, distribuído no Mediterrâneo, Atlântico, Índico e Pacífico Ocidental.
A análise molecular de 15 das suas 26 espécies, usando marcadores mitocondriais e dois nucleares, incluindo espécies da costa europeia e africana, e da costa australiana e japonesa, juntamente com espécies de outros géneros aparentados, revelou que o Parablennius não é monofilético, isto é, este género não inclui todos os descendentes do seu ancestral comum.
Este ancestral comum deu origem a espécies classificadas noutros géneros, Salaria e Scartella, fazendo do Parablennius um género parafilético.
A relação filogenética entre as espécies de Parablennius, juntamente com as suas distribuições geográficas, indica que as espécies presentes no Índico e Pacífico descenderam de um ancestral Atlântico. Pelo menos no caso deste género, o Atlântico foi o local de maior diversificação.
Usando um relógio molecular, foi possível testar duas hipóteses de colonização do Indo-Pacífico a partir do Atlântico: (1) migração através do antigo mar Tétis, que conectava o Atlântico e Pacífico, até há 18-20 Ma; (2) migração para Oriente dobrando o sul de África e entrando no Índico.
Embora o relógio molecular possa ser um instrumento de pouca precisão, neste caso, foi suficiente para excluir a hipótese (1): o grupo de Parablennius do Indo-pacífico divergiu dos restantes há cerca de 6Ma (1.7-13.0), bastante depois do fecho da passagem do Tétis.
A invasão do Índico através do sul da África poderá ter sido um evento raro, já que as actuais correntes predominantes são para Ocidente, em sentido contrário ao da hipotética dispersão.
Este trabalho foi desenvolvido por:
André Levy – Unidade de Investigação em Eco-Etologia, ISPA
Sophie von der Heyden – Dept. Botânica e Zoologia, Univ. de Stellenbosch, África do Sul
Sérgio R. Floeter – Dept. de Ecologia e Zoologia, Univ. Federal de Santa Catarina, Brasil
Giacomo Bernardi – Dept. Ecologia e Biologia Evolutiva, Univ. Santa Cruz, EUA
Vítor C. Almada – Unidade de Investigação em Eco-Etologia, ISPA
Este trabalho foi financiado por:
Estudo financiado por fundos nacionais da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia (UI&D 331/94, em parte pelo FEDER). A. Levy foi financiado por uma bolsa de pós-Doutoramento concedida pela FCT (SFRH/BPD/41391/2007).
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